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Education at a Glance 2021

A edição de 2021 da publicação da OCDE “Education at a Glance” dá especial atenção à equidade, analisando de que forma o progresso através da educação, bem como os resultados da aprendizagem e no mercado de trabalho são influenciados por fatores como o género, o estatuto socioeconómico, o país de origem e a localização geográfica.

Esta publicação dedica um capítulo à meta 4.5 (equidade na educação) do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (“Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”), apresentado uma avaliação do estado dos países da OCDE e de países parceiros na disponibilização da igualdade de acesso à educação de qualidade em todos os níveis. A edição deste ano é complementada por dois novos indicadores sobre os mecanismos e fórmulas de alocação de recursos públicos às escolas e a taxa de desgaste dos professores, dando ainda destaque à pandemia da COVID-19, através da exploração das medidas implementadas pelos países para garantir a continuidade e a aprendizagem equitativa durante as interrupções letivas. 

 De entre as conclusões do relatório, destacam-se as seguintes:

- o ensino secundário continua a ser o patamar mínimo de qualificação para que os jovens adultos contribuam efetivamente para a sociedade. No entanto, nos países da OCDE, um em cada cinco adultos não concluiu o ensino secundário e, em alguns países, uma parcela significativa das crianças abandona a escola precocemente. Em 2019, pelo menos 10% dos jovens em idade escolar não frequentavam a escola em cerca de um quarto dos países da OCDE;

- entre os fatores que influenciam o desempenho educativo, o estatuto socioeconómico tem um impacto maior nas competências de literacia dos jovens de 15 anos do que o género ou o país de origem. A condição socioeconómica também tende a influenciar o percurso educativo que os alunos prosseguem, uma vez que os alunos sem pais com o ensino superior, um indicador do estatuto socioeconómico, têm maior probabilidade de ingressar em vias profissionalizantes de nível secundário do que em cursos do ensino geral. Registe-se ainda que, em média, nos países da OCDE, uma criança de uma família desfavorecida demora cinco gerações para atingir o rendimento médio nacional;

- quem não tem o ensino secundário enfrenta desvantagens no mercado de trabalho. Em 2020, a taxa de desemprego dos jovens adultos sem o ensino secundário era quase duas vezes maior do que a dos detentores de qualificações mais elevadas;

- mais do que nunca, a aprendizagem ao longo da vida é decisiva para os adultos aumentarem as suas competências e requalificarem-se, num mundo marcado por evoluções constantes. Contudo, mais de metade dos adultos não participou em atividades de educação e formação em 2016, e a pandemia reduziu ainda mais as oportunidades de fazê-lo;

- a nacionalidade - ser nativo ou estrangeiro - tem impacto no sucesso educativo e no arranjar um emprego. Em média, nos países da OCDE, os adultos nascidos no estrangeiro, com idades entre os 25 e os 64 anos, representam 22% de todos os adultos sem o ensino secundário, 14% dos adultos que atingem o nível secundário ou pós-secundário não superior e 18% dos adultos com formação superior. Na maioria dos países da OCDE, as taxas de emprego dos adultos estrangeiros com o ensino superior são mais baixas do que as dos seus pares nacionais, mas o oposto costuma verificar-se relativamente aos que são detentores de níveis de escolaridade mais baixos;

- em média, nos países da OCDE, os homens jovens têm mais probabilidade do que as mulheres de não ter uma qualificação de nível secundário. Os homens também têm menos probabilidades de ingressar e concluir o ensino superior. Em 2019, em média, as mulheres representavam 55% dos novos ingressos no ensino superior, mas tendem a estar sub-representadas em certas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Apesar de terem mais habilitações académicas, a sua taxa de emprego é inferior à dos homens. Além disso, também ganham, em média, cerca de 76-78% dos salários dos homens, independentemente do nível de escolaridade;

- aos 30 anos, a associação entre educação e esperança de vida é maior para os homens do que para as mulheres: os homens com o ensino superior podem esperar viver cerca de seis anos a mais do que aqueles sem o ensino secundário, em comparação com três anos a mais para as mulheres.

 Especificamente no que concerne a Portugal, o relatório destaca, entre outros aspetos, os seguintes:

- o estatuto socioeconómico pode ter um impacto significativo na participação dos estudantes na educação, particularmente nos níveis de ensino que mais dependem da despesa privada, tais como a educação pré-escolar e o ensino superior;

- tal como na maioria dos países da OCDE, o estatuto socioeconómico influencia mais os resultados escolares do que o género e o estatuto de imigrante;

- os estudantes de meios socioeconómicos mais desfavorecidos têm maior propensão a ingressar nas vias profissionalizantes de nível secundário do que em cursos do ensino geral;

- as grandes diferenças nos níveis de escolaridade podem levar a uma maior desigualdade de rendimentos. Em Portugal, 9% dos adultos com idades entre os 25 e os 64 anos e sem o ensino secundário têm rendimentos iguais ou inferiores a metade da mediana dos rendimentos em 2018, inferior ao valor médio registado na OCDE (27%);

- entre os jovens, as mulheres têm menor probabilidade de estarem empregadas do que os homens, particularmente as que têm baixos níveis de escolaridade. Em Portugal, em 2020, apenas 65% das mulheres entre os 25 e os 34 anos de idade, sem o ensino secundário, estavam empregadas, em comparação com 80% dos homens;

- em quase todos os países da OCDE e em todos os níveis de escolaridade, as mulheres entre os 25 e os 64 anos de idade têm rendimentos inferiores aos dos seus pares masculinos: em média, os seus rendimentos correspondem a um valor entre 76% e 78% dos rendimentos dos homens. Em comparação com outros níveis de ensino, em Portugal, a desigualdade salarial entre géneros é maior entre os diplomados do ensino superior, com as mulheres a auferirem rendimentos equivalentes a 73% dos auferidos pelos homens; ao passo que as mulheres sem o ensino secundário têm um rendimento que corresponde a 78% do rendimento dos homens com a mesma escolaridade;

- em média, nos países da OCDE, as mulheres entre os 25 e os 64 anos de idade tendem a participar mais do que os homens com a mesma idade na educação e formação de adultos. Este não é, todavia, o caso de Portugal: em 2016, 45% das mulheres participaram em processos de educação e formação formal e/ou não formal, em comparação com 48% dos homens;

- em Portugal, a taxa de desemprego entre os jovens com idades entre os 25 e os 34 anos com habilitações inferiores ao ensino secundário foi de 10,9% em 2020, o que representa um aumento de 2 pp em relação ao ano anterior;

- o número de adultos que participou em processos formais ou não formais de educação e formação diminuiu 27%, em média, nos países da OCDE, entre o segundo trimestre de 2019 e o segundo trimestre de 2020. Em Portugal, a participação dos adultos em processos formais ou não formais de educação e formação no mesmo período diminuiu 19%;

- em 2018, Portugal gastou 5% do PIB em instituições do ensino básico ao ensino superior, o que é 0,1 pp mais elevado do que o valor médio observado na OCDE. Ao longo dos níveis de ensino, Portugal dedicou uma percentagem do PIB acima da média da OCDE, no conjunto do ensino não superior, e uma percentagem abaixo da média, ao nível do ensino superior;

- em Portugal, a proporção dos custos de capital no total da despesa com educação é inferior à registada na média dos países da OCDE, qualquer que seja o nível de educação considerado.

Resource Details
Education at a Glance 2021.
ISBN
ISBN 978-92-64-81892-7
Autor(es) do recurso
OCDE
Tipo de recurso
Estudos e relatórios
Data de publicação
Língua do documento
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Education at a Glance 2021.
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