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EPALE

Plataforma eletrónica para a educação de adultos na Europa

 
 

Sala de imprensa

Educação Social e Educação de jovens e adultos: questões atuais, dilemas antigos

31/07/2018
Idioma: PT

O III Seminário Luso Brasileiro de Educação de adultos/I Seminário Internacional Brasil e Portugal decorreu, nos dias 9 e 10 de julho, na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD), organizado pelo Departamento de Educação e Psicologia/Escola de Ciências Humanas e Sociais da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, em parceria com dois grupos de estudos na área da Educação Social e Educação de Jovens e Adultos de Universidades Brasileiras.

No dia 10 de julho, uma das mesas do seminário centrou-se nas experiências práticas e de investigação na área da educação de adultos e da educação nas prisões.

Enquadrada nesta mesa, a equipa do serviço nacional de apoio da Plataforma Eletrónica para a Educação de Adultos na Europa (EPALE) apresentou este instrumento, as suas funcionalidades, potencialidades e temáticas.

De seguida, Rita Barros, do Instituto Piaget, deu a conhecer o projeto EPRIS implementado no estabelecimento prisional feminino de Santa Cruz do Bispo. Com uma formação de 250 horas, em regime de b-learning, com recurso a uma plataforma moodle, este projeto caracterizou-se pela flexibilidade e respeito pelos ritmos de aprendizagem das formandas e visou o desenvolvimento de competências pessoais e sociais para futura inserção socioprofissional de cerca de 300 reclusas. Para além disso, o projeto procurou rentabilizar as experiências de vida das reclusas, sendo o manual de formação construído pelas mesmas. Em termos de resultados, verificou-se um aumento da autoconfiança pessoal das formandas reclusas, bem como uma melhoria das competências associadas à resiliência, autonomia e gestão do tempo.

Rita Barros referiu ainda a o facto de este projeto ter permitido que as reclusas encarem o erro não como um julgamento, mas como parte de um processo de aprendizagem.

De referir que estas reclusas apresentavam desmotivação e ansiedade, originadas pela vivência prisional, falta de interesse em alguns temas e de conhecimentos de base para uma aprendizagem mais efetiva.

Para a equipa que implementou este projeto ficaram também claros os desafios que uma ação de formação deste tipo pode trazer em contexto prisional. Foram referidas as questões de acessibilidade e segurança que a plataforma online coloca em meio prisional, a necessidade de assegurar formação específica aos formadores neste contexto e de garantir uma configuração de formação que privilegie os momentos presenciais e a necessidade de nivelamento das competências digitais.

Susana Oliveira, da Escola Profissional Amar Terra Verde e vice presidente da European Association for Education of Adults (EAEA) apresentou esta associação, sublinhando o seu papel no estabelecimento de uma rede de contactos, na disponibilização de informações, recursos e apoio às instituições que atuam no campo da educação e formação e adultos, formal e não formal ou informal. Apresentou igualmente o “Manifesto para a Aprendizagem de adultos no Séc. XXI”, um documento produzido por esta associação, traduzido em 24 línguas europeias e dirigido a decisores políticos europeus, nacionais e regionais, e a profissionais na área da educação. Este manifesto integra 7 desafios europeus contemporâneos a que a educação de adultos deve responder, no entender da EAEA.

José Alberto Pinto, professor do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, de Chaves, refletiu sobre o trabalho docente em contexto prisional, abordando os desafios da educação nas prisões para todos os seus intervenientes, com um olhar crítico, fruto da sua experiência de docência e formação nesse contexto. Com respeito aos docentes e formadores, os desafios passam, no entender deste docente, pela inexistência de formação adequada, em termos de metodologias, estratégias e conteúdos a lecionar em contexto prisional, bem como pela escassez de recursos e pelo impedimento do uso das TIC neste contexto. Outro desafio para os formadores passa por ultrapassarem um “choque cultural” associado ao contexto da formação e à especificidade dos públicos.

Relativamente aos reclusos, os principais desafios sentidos prendem-se com as dificuldades de aprendizagem e falta de hábitos de estudo, a desmotivação, a menor capacidade de concentração, uma visão da escola como sinónimo de insucesso, associada, em termos de histórias de vida, ao início ou ao desenvolvimento de uma vida criminal.

Não obstante estas dificuldades a figura do professor é valorizada e respeitada e a frequência escolar pode ser entendida como uma possibilidade de melhorar a condição do recluso (com a possibilidade de redução de pena) e pode levar a um aumento da autoestima.

A última intervenção do seminário foi realizada por Elvira Rodrigues (professora da Escola Secundária Augusto Gomes – Matosinhos) que abordou a metodologia do Portfolio Reflexivo de Aprendizagem, baseada nas histórias de vida, no âmbito dos processos de reconhecimento, validação e certificação de competências nos adultos. As narrativas de vida foram apresentadas como um recurso educativo na abordagem da educação de adultos, valorizando a experiência de vida e aproximando os adultos da aprendizagem ao longo da vida

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