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Sala de imprensa

Educação de adultos: "quem fica para trás são os suspeitos do costume"

18/10/2018
Idioma: PT

Sob o mote "ninguém pode ficar para trás", o Conselho Nacional de Educação (CNE) dinamizou, no dia 20 de setembro, um seminário subordinado à temática da educação de adultos.
Maria Emília Brederode Santos, Presidente do CNE, deu início aos trabalhos, revelando a sua preocupação no que diz respeito aos "avanços e recuos" existentes na área educação de adultos em Portugal. Esta mesma preocupação foi partilhada por João Costa, Secretário de Estado da Educação. "Não é tarde para voltar à escola" disse, acrescentando que se trata de "um problema de justiça social". Por seu turno, Rui Canário, também do CNE, destacou a incidência da iliteracia nos grupos mais desfavorecidos, não obstante tratar-se de um "problema transversal à sociedade portuguesa".
O seminário prosseguiu com a realização do primeiro painel do dia, moderado por Luís Capucha, do CNE. Patrícia Ávila, do ISCTE-IUL, colocou a tónica do seu discurso na teorização do conceito de literacia. Já Natália Alves, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, focou a sua apresentação no mote da iniciativa, relembrando que "ninguém pode ficar para trás mas o «tamanho único» nem sempre é adequado a todos. Outro aspeto focado por Natália Alves foi a necessidade de se garantir condições de permanência e de sucesso na educação de adultos. "Quem fica para trás são os suspeitos do costume", rematou.
A formação profissional para os menos qualificados foi a temática central do segundo grupo de intervenções, sob moderação de José Luís Presa, do CNE. Paulo Feliciano, Vice-Presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, salientou as dificuldades reveladas pelos cursos de educação e formação de adultos (EFA) para chegar aos mais velhos e aos menos qualificados. Na mesma linha de raciocínio, Ana Cláudia Valente, Vogal do Conselho Diretivo da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), considerou que a participação em atividades de aprendizagem ao longo da vida é "limitada e desigual". Além de apresentar alguns dados relativos ao programa Qualifica, a dirigente da ANQEP apontou como desafios futuros a renovada mobilização dos adultos, bem como a credibilização de modalidades de qualificação de adultos, em particular o processo de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVCC).
Os trabalhos ficaram concluídos da parte da manhã pela voz de Acir Meirelles, da Rede Valorizar (Açores). As inovações pedagógicas e os resultados alcançados entre 2014 e 2017 por parte desta rede foram alguns dos tópicos abordados na sua intervenção.

Educação de adultos e adquiridos experienciais

A educação de adultos e os adquiridos experienciais deram o mote para a realização do primeiro painel da tarde, sob a batuta de Cristina Vieira, do CNE. "Centramo-nos demasiado nas aprendizagens formais", apontou Carmen Cavaco, do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, numa crítica à excessiva escolarização do sistema de ensino. A (difícil) concretização da valorização de adquiridos experienciais enquanto marca da educação e formação de adultos foi destacada pela voz de Luís Rothes, da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. "A ideia de facilitismo destrói a imagem da educação de adultos", acrescentou. Por sua vez, Rosanna Barros, da Universidade do Algarve, fez uma síntese das políticas implementadas em Portugal nesta área. De acordo com esta docente, atualmente, verifica-se um retorno aos direitos sociais dos cidadãos, acompanhado de uma "redemocratização da oferta".
As estratégias de implementação de educação de adultos em regiões do interior foram o pretexto para o debate que juntou Abílio Amiguinho, da Escola Superior de Educação e de Ciências Sociais de Portalegre, Fernando Ilídio Ferreira, da Universidade do Minho, e José Bravo Nico, da Universidade de Évora, sob a moderação de Lucília Salgado. De entre estas intervenções, destaque para o repto lançado por José Bravo Nico, a propósito do mote deste evento: "Não é suficiente afirmar «ninguém pode ficar para trás». Nada pode ficar para trás", concluiu.
O seminário chegou ao fim com a realização de um último painel, comandado por Rui Canário, em que os oradores procuraram associar à educação de adultos o conceito de democracia. Alberto Melo, Presidente do Conselho Executivo da Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente (APCEP), criticou a "ausência de uma política de educação de adultos" no nosso País, considerando mesmo existir "uma descontinuidade crónica". Mais educação de adultos significa mais saúde, mais produtividade e mais participação cívica, acrescentou.
Lucílio Lima, do Instituto de Educação do Universidade do Minho, fechou os trabalhos com uma visão humanista do conceito de educação permanente. De acordo com este especialista, não basta que a educação e a formação de adultos nos tornem mais úteis, produtivos e eficazes. Ao invés, é indispensável que contribua para nos tornarmos mais humanos e mais livres e participantes ativos na transformação democrática do mundo social.
 



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Apresentando 1 - 1 de 1
  • Retrato de Maria Paulo
    Para quando uma política de educação de adultos em Portugal ! Será que o Programa Nacional de Literacia de Adultos, agora em construção, será a resposta ?  O pessoal ligado à educação de adultos acredita que sim e está a mobilizar-se para levar o Programa a bom porto ...