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Um Centro Qualifica que alia a cultura à formação

28/12/2018
by Ana Isa Figueira
Idioma: PT

Envolver os parceiros como mediadores para a divulgação e mobilização para a qualificação dos públicos, em particular dos mais vulneráveis, tem sido uma das estratégias prosseguidas pelo Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira, em Torres Vedras, conforme revela Ana Miguel, coordenadora deste Centro.

De entre os múltiplos projetos do Centro, destaca-se a criação de um cartão que permite aos formandos terem acesso gratuito aos espetáculos do Teatro-Cine de Torres Vedras. Com esta iniciativa, o Centro tem incentivado os adultos a conhecerem os espaços culturais da cidade, e, sobretudo, a criarem hábitos de consumo de produtos culturais.

 

ANQEP: Este Centro já tinha sido um Centro de Novas Oportunidades. Nota diferenças no tipo de públicos que procuram o Centro atualmente?

Ana Miguel: Sim. Considerando que somos um Centro promovido por uma escola que desde sempre teve um grande espaço dedicado à formação de adultos, esses públicos adultos naturalmente habituaram-se a vir bater à nossa porta à procura de soluções formativas. As pessoas vêm à procura de informações para confirmar aquilo que ouviram na comunicação social, para saber ao certo o que e isto e que caminhos existem. Portanto, no fundo, estamos essencialmente na esfera dos públicos mais adultos que pretendem melhorar as suas habilitações. Todavia, nos últimos anos, assiste-se a um rejuvenescimento desses públicos. Hoje temos também jovens adultos que nos procuram para saber quais são as possibilidades para concluírem o ensino secundário, visto que não o conseguiram concluir uns anos antes.

 

ANQEP: Que estratégias usa o Centro Qualifica para mobilizar públicos-alvo mais vulneráveis ou menos motivados para a qualificação?

A.M.: Tentamos manter com as pessoas uma relação de grande proximidade. Portanto, quando há eventos, promovidos pela comunidade, tentamos estar sempre presentes para podermos ter uma relação direta e chegar às pessoas. Todavia, atualmente a mobilização dos nossos públicos é muito feita através dos nossos próprios parceiros. Utilizamos muito os parceiros como mediação.

 

ANQEP: Utilizam essencialmente os parceiros com os quais o Centro Qualifica trabalha?

A.M.: Sim. Desses, no que diz respeito a públicos mais vulneráveis, realço a nossa integração na Rede Social de Torres Vedras, que integra um grande número de parceiros.

 

ANQEP: E também IPSS?

A.M.: Sim, pois o seu trabalho, no dia-a-dia, é de facto o contacto com pessoas que possam necessitar de diferentes tipos de apoio. Essas entidades conhecem-nos, sabem qual é o nosso trabalho e podem também passar a informação.

 

ANQEP: Numa primeira fase, foi o Centro quem se deu a conhecer a essas entidades?

A.M.: Num primeiro momento, nós fomos convidados pela Rede Social de Torres Vedras para apresentarmos o Centro Qualifica numa sessão plenária, muito por força do projeto “Back To Network”. Este é um projeto Erasmus+, que envolve parceiros holandeses e húngaros, com vista a encontrar soluções para ajudar os desempregados a saírem dessa situação. Quando fomos convidados a apresentar este projeto, no final da nossa apresentação, a vereadora da área social propôs ao Plenário da Rede Social que fossemos convidados a integrar esta rede, o que foi votado favoravelmente. Ao integrarmos a Rede, tivemos a possibilidade de ter uma relação de parceria com todos os elementos que a integram (representantes da Segurança Social, das IPSS, etc.), o que nos permite fazer chegar informação sobre a existência do Centro e as modalidades de educação e formação a públicos conhecidos por essas entidades. Estamos essencialmente numa replicação da informação através de parceiros.

 

ANQEP: O Centro Qualifica tem também uma boa relação com o Centro de Emprego…

A.M.: Claro. Tivemos um protocolo no tempo do Centro Novas Oportunidades e, naturalmente, temos vindo a desenvolver essa parceria. O Centro de Emprego envia-nos todas as pessoas que acha que devem ser enquadradas por nós. Todos os dias aparece alguém que diz: “eu venho do Centro de Emprego, estou nesta situação e mandaram-me vir aqui”. No ano passado, também construímos um perfil de grupo e os potenciais formandos com esse perfil foram convocados para virem a uma sessão informativa. O nosso objetivo era mobilizá-los para a qualificação.

Além disso, temos uma parceria com a Câmara Municipal, através do seu programa “Emprega-te a fundo” (um programa de formação de uma semana para munícipes desempregados). Nesta semana de formação, nós entramos com um módulo que se chama “Respostas de Qualificação”. Há vários módulos de formação, o objetivo é que, ao fim daquela semana de formação, o desempregado fique munido de um conjunto de informações que lhe possam ser úteis.

Somos também parceiros da Câmara Municipal no âmbito do Plano Local para a Inclusão das Comunidades Ciganas (PLICC), que decorre do facto de o nosso município ter aderido ao programa “Romed” (um programa nacional que está a ser executado em sete ou oito municípios). O PLICC tem várias vertentes e nós entramos na que diz respeito à educação.

 

ANQEP: Mas já tiveram alguma atividade no âmbito deste programa?

A.M.: Na altura do Centro de Novas Oportunidades, enquadrámos um conjunto de pessoas ciganas, mobilizando-as para um curso de competências básicas que se concretizou com o apoio da Câmara Municipal. Mais recentemente, representámos, no âmbito do programa “Romed”, aquilo que se chama “GAC” – Grupo Ativo Cigano. Este é um grupo que visa fazer chegar pontos de vista das pessoas de etnia cigana ao município, sobre aspetos que as mesmas gostariam de ver concretizados. E, neste âmbito, fizemos, no ano passado, uma sessão informativa para apresentar todas as possibilidades de formação. Em termos de mobilização para a formação, o resultado não foi extraordinário, mas estamos a trabalhar nisso.

 

ANQEP: Que estratégias de divulgação utilizam?

A.M.: Formalmente, fizemos aquilo que nos foi solicitado. Colocámos a placa de sinalética num espaço nobre da escola, ao lado do seu nome, em local visível. Como a rua é muito movimentada toda a gente vê a placa do Centro Qualifica.

Obviamente, temos também um espaço no site da escola e, em termos institucionais, integramos o Conselho Pedagógico da Escola. Esta escola tem dois representantes das ofertas formativas de adultos neste conselho: um do Centro Qualifica e outro dos Cursos EFA. Isso é muito importante. Há Centros Qualifica que não estão representados nos Conselhos Pedagógicos.

Por via desta representação, temos eco no Conselho Geral na Rede Local de Educação e Formação. Como também já referimos, integramos a Rede Local de Torres Vedras. Temos também espaço no Portal da Educação de Torres Vedras e uma página de Facebook que é forte, na nossa ótica. Tem um espaço dedicado à informação mas também integra sugestões de caráter cultural e de tudo o que nos parece ser interessante para o reforço da educação e formação de adultos. Quando temos momentos mais marcantes como entregas de diplomas, temos tido a felicidade de ter sempre a comunicação social ao nosso lado.

Em acréscimo, fizemos tudo aquilo que achámos que tínhamos de fazer, como sessões de divulgação em algumas freguesias.

Temos ainda muita gente que vem ao nosso encontro porque conhece alguém que já passou por cá e recomenda o Centro, assim como os nossos jovens que passam a palavra aos pais.

 

ANQEP: Tivemos conhecimento do projeto “A Cultura ao Serviço da Educação e Formação de Adultos” que conduziu à criação do chamado Cartão de Teatro-Cine. Pode falar-nos deste projeto?

A.M.: No ano passado, quando participámos na “Semana Aprender ao Longo da Vida”, promovida pela Associação “O Direito de Aprender”, desenvolvemos várias atividades a nível local e uma delas decorreu no espaço do Teatro-Cine, tendo surgido a ideia de formalização de um protocolo que incentivasse os formandos que estão em processo de RVCC e em cursos EFA a irem assistir gratuitamente a espetáculos neste espaço. No fundo, pretendíamos incentivar as pessoas a conhecerem os espaços culturais da nossa cidade, e, sobretudo, criar hábitos de consumo de produtos culturais. O cartão Teatro-Cine tem duas modalidades: uma modalidade de grupo (para os cursos EFA, tendo um mediador que organiza e gere a ida a determinados espetáculos). Este mediador analisa a programação e, se houver algum espetáculo que seja relevante e pertinente para o processo de formação em causa, organiza a visita em grupo. No âmbito do processo de RVCC, decidimos que não seria assim. Temos um cartão individual e é o adulto que é responsabilizado pela sua autoformação em termos culturais. Este cartão dá para duas pessoas, para que o adulto que está em processo de RVCC possa levar uma companhia, e permite o acesso a todos os espetáculos que são da responsabilidade da Câmara Municipal.

No âmbito dos processos de RVCC, normalmente na área de cultura, linguagem e comunicação, é apresentada a programação do Teatro-Cine, através do resumo e da sinopse que nos é enviada. Com esta sinopse é construído um guião, um questionário e tópicos de reflexão que são entregues aos adultos. Estes deverão integrar nos seus portefólios reflexivos de aprendizagem as reflexões inerentes aos espetáculos que tenham escolhido para assistir. A nossa aposta é que todos os portefólios integrem ecos desta parceria.

 

 

 

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