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Talvez, apenas talvez, a educação nos museus tenha sido impulsionada pela pandemia

A Academia Europeia de Museus acaba de publicar um relatório sobre o desempenho dos museus, no ano passado, na Europa. 2020 foi como nenhum outro ano nas últimas décadas, por causa da pandemia COVID-19 que varreu a Europa e o mundo desde o início do ano e que deu poucos sinais de terminar quando estas palavras foram escritas, no segundo mês de 2021.

EMA National Museum Reports 2020.

 

A Academia Europeia de Museus acaba de publicar um relatório sobre o desempenho dos museus, no ano passado, na Europa. 2020 foi como nenhum outro ano nas últimas décadas, por causa da pandemia COVID-19 que varreu a Europa e o mundo desde o início do ano e que deu poucos sinais de terminar quando estas palavras foram escritas, no segundo mês de 2021.

Essa situação marcou claramente o relatório. Pela terceira vez, a Academia Europeia de Museus apresenta uma visão geral da situação, bem como as tendências dos museus no panorama europeu. A visão geral baseia-se em relatórios de colegas de todo o continente aos quais foi simplesmente perguntado: "o que está a acontecer? e "como estão a lidar com a situação?" Devido à situação especial da pandemia, os representantes da Academia foram solicitados a relatar especificamente qual foi o impacto da mesma nos museus dos seus países e como os museus, o público e as autoridades responderam.

2020 tornou-se um ano de desafios sem precedentes para os museus e para a sociedade em geral. Como disse o nosso colega do Chipre, “além de todas as circunstâncias más e tristes que esta pandemia poderá ter provocado, os museus, como muitos outros setores, foram forçados a repensar e a reavaliar as suas políticas, estratégias e propósitos”. A pandemia lançou os museus de toda a Europa no confinamento por dias, semanas e meses, que se repetiram quando a segunda onda da pandemia começou. Em muitos países, isso implicou que os funcionários fossem mandados para casa por períodos mais longos, ou mesmo que perdessem os seus empregos e, com isso, os museus perderam competências. O impacto da pandemia foi grave para o pessoal dos museus em toda a Europa e, em alguns casos, os trabalhadores independentes perderam os seus contratos. Em alguns países como a Holanda, Dinamarca e Suécia o pessoal teve de ser despedido. Os museus tentaram encorajar as pessoas a visitarem-nos, garantindo uma distância segura entre os visitantes, reduzindo o preço das entradas, entre outras medidas, mas para a maioria dos museus parece ter sido uma batalha perdida. Alguns museus receberam cerca de metade do número de visitantes que era habitual durante o verão, mas muitos reduziram o seu número de visitantes historicamente em 70-80%, o que foi, em grande parte, explicado pela proibição quase total do turismo e das viagens. Além do impacto financeiro, os encerramentos forçados também fizeram com que os museus deixassem de cumprir um elemento-chave do seu propósito: alcançar as pessoas e oferecer o tipo de experiências que apenas os museus oferecem.

Durante décadas, a digitalização foi um tema que os museus, em geral, parecem ter utilizado principalmente para modernizarem os procedimentos de registo de coleções, embora haja, é claro, exemplos em muitos países de apresentações digitais, ofertas educativas e exposições pioneiras. Quando os museus foram encerrados em toda a Europa, a digitalização tornou-se muito mais do que uma ferramenta de registo. Os relatos revelam como os museus foram rápidos a mudar de estratégia e a adaptarem-se às novas circunstâncias. Os meios digitais e os media sociais tornaram-se, subitamente, ferramentas particularmente importantes para alcançarem o seu público, ou até mesmo para chegar ao público em geral. Os relatos demonstram uma grande variedade de atividades digitais desenvolvidas pelos museus. Experiências de aprendizagem interativas, passeios virtuais e muitas outras ofertas foram desenvolvidas, produzidas, entregues e consumidas em quase todos os países. Em vários países os governos estimularam o desenvolvimento digital, assim como o fez a União Europeia através de diversos programas. Noutros países, governos ou organizações de museus dedicaram o ano de 2020 a programas de educação contínua em competências digitais para os museus. Mas em alguns países, tomando a Turquia como exemplo, os pequenos museus privados e independentes ainda não são capazes de fazer uso das ofertas que têm, pois já eram pobres e carentes em recursos básicos antes da pandemia.

Além de lidarem com o impacto da pandemia e de aproveitarem as oportunidades que esta ofereceu, tem havido alguns desenvolvimentos políticos notáveis de importância para os museus na Europa. Em 2019, vimos iniciativas em alguns países para a criação de um controlo politizado sobre os museus, como foi o caso mencionado por Itália. Este ano, temos relatos sobre como os governos podem minar a autoridade ou o bem-estar dos profissionais. Na Hungria, foi retirado o estatuto de funcionário público ao pessoal dos museus, tendo como infeliz resultado uma evolução salarial negativa. Boas notícias vêm da Macedónia do Norte, onde os funcionários dos museus tiveram um aumento de salário há muito esperado. Noutros países, como a Suécia, a divisão da responsabilidade financeira e do envolvimento em museus entre o governo central e os conselhos regionais é altamente criticada pelas regiões, que afirmam que o governo está a estreitar, cada vez mais, o seu envolvimento financeiro para cobrir pouco mais do que os museus administrados pelo governo central. No entanto, houve auxílio financeiro estatal em vários países para fazer face às dificuldades por que passam os museus e os atores do setor cultural, como na Áustria, na Estónia, na Bélgica, na Dinamarca, na Noruega e na Irlanda. A pandemia foi uma oportunidade para os museus reverem o papel social dos museus na Eslovénia. A migração, a globalização e a descolonização dos museus foram temas importantes que o setor discutiu na Bélgica, na Alemanha e no Reino Unido. O Brexit e suas repercussões no setor de turismo e nos museus foi outro tema importante para o Reino Unido.

A importância dos museus para o bem-estar mental e para o desenvolvimento de competências das pessoas poderá nunca ter sido demonstrada tão fortemente como durante a pandemia. A procura pela reabertura dos museus foi observada em todos os países ao longo do ano, indo desde as modestas tentativas de abertura para pequenos grupos, como no Montenegro, passando pelas precauções excessivas pela segurança, como na Espanha, até aos apelos nos media nacionais em França para a sua reabertura o mais rapidamente possível. O dano causado pelo encerramento dos museus foi considerado, de certa forma, pior do que os riscos de uma abertura cuidadosa. A escolha do Dia Nacional para a sua reabertura na Eslovénia pode ser vista como um símbolo da sua importância.

Esta é talvez a tendência mais interessante dos novos desenvolvimentos nos museus desde a pandemia: os museus são importantes para o bem-estar das pessoas, pois há uma necessidade constante de construir, de desconstruir e de reconstruir de onde viemos, quem somos e para onde vamos. O impressionante avanço digital nos museus em 2020 será uma parte importante das ferramentas dos museus daqui em diante. Paralelamente ao que fazem de analógico para alcançarem as pessoas, as ofertas digitais, e especialmente a interação digital ao vivo com os museus, serão igualmente importantes para um museu globalizado. Quando os museus levarem isso a sério, também se tornarão mais atrativos para os diferentes contextos educativos.

Poderá descarregar aqui o relatório na integra

http://europeanmuseumacademy.eu/how-were-museums-in-europe-doing-in-2020-national-reports/

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