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Relevância e contextualização na conceção de programas de competências básicas para adultos

Leia o último blog de Graciela Sbertoli sobre a importância da contextualização dos programas de competências básicas para adultos!

Relevance and contextualisation in the design of adult basic skills programs

Os profissionais de Educação de Adultos de todo o mundo celebraram recentemente o centenário do nascimento de Paulo Freire, uma das maiores referências mundiais em qualquer debate sobre educação, em geral, e em educação de adultos, em particular.

Freire está no centro da tradição andragógica que sustenta as abordagens da aprendizagem dos adultos, assim como os princípios estabelecidos por Malcolm Knowles:

  • Os adultos precisam de ser envolvidos no planeamento e na avaliação da sua formação.
  • A experiência (incluindo os erros) fornece a base para as atividades de aprendizagem.
  • Os adultos estão mais interessados em aprender assuntos que tenham relevância e impacto imediatos no seu trabalho ou na vida pessoal.
  • A aprendizagem dos adultos é centrada na resolução de problemas e não nos conteúdos.

A relevância e a contextualização são princípios essenciais da aprendizagem dos adultos. Se os alunos adultos compreenderem como as informações recém-adquiridas os podem beneficiar, é mais provável que as retenham e que fiquem mais motivados para aprendizagens posteriores. As crianças e os jovens podem ser ensinados "para o futuro". Os adultos precisam de perceber a utilização concreta que podem fazer, aqui e agora, da sua aprendizagem, para se manterem motivados e persistirem no seu percurso educativo. É também por essa razão que precisam de trabalhar com tarefas que sejam relevantes para a sua situação quotidiana.

O que somos chamados a fazer com as nossas competências básicas é sempre contextualizado, no sentido de que está integrado num determinado ambiente sociocultural. Usaremos diferentes aspetos das competências, dependendo do nosso grupo social ou profissional (por exemplo, enfermeiras, adolescentes, académicos); do tipo de atividades que realizamos (por exemplo, fazer compras, lidar com a burocracia, estudar etc.); e dos diferentes contextos sociais e institucionais em que atuamos (escola, trabalho, casa, etc.) A formação à medida tem-se revelado um fator motivador na educação de adultos e o conteúdo do curso deve ser baseado em temas relacionados com o dia a dia dos indivíduos, como o trabalho, outra formação, o voluntariado, o acompanhamento dos filhos, as finanças pessoais e as atividades de lazer.

Formar adultos provenientes de diferentes contextos, no que diz respeito ao emprego, à situação familiar, aos interesses, etc., poderá ser um desafio a vários níveis. Uma boa abordagem poderia ser criar cursos baseados em temas específicos com o objetivo de reunir adultos com interesses semelhantes na mesma formação. Relacionar a formação em competências básicas com as profissões é significativo e motivador para os participantes. Os cursos focados em temas relacionados com o trabalho num setor, por ex. jardim de infância, saúde e assistência, restaurantes, etc., tornam a formação mais relevante para os adultos que procuram emprego ou que já trabalham naquele setor específico.

 

Uma estrutura - conteúdos diferentes de cursos contextualizados 

A necessidade de adequar os cursos ao contexto específico de cada aluno é o que determina que os cursos de competências básicas não devam ter um currículo comum. Pelo contrário, devem ser baseados numa estrutura que contenha uma série de indicadores gerais que possam ser adaptados a necessidades específicas.

Para realizar um curso que os alunos experienciem como sendo relevante e ainda que seja capaz de se adaptar e de concretizar os indicadores da estrutura aos diferentes contextos de vida e de atuação dos alunos, o professor terá de integrar a cooperação dos próprios alunos na sua procura por materiais de aprendizagem. Uma abordagem educativa que envolva os interesses dos alunos, capacitando-os para que direcionem o seu processo de aprendizagem, decidam o seu percurso de aprendizagem e façam a autoavaliação contínua do seu progresso é um fator essencial para a garantia do sucesso da oferta de aprendizagem baseada na estrutura nacional.

Um plano de aprendizagem pessoal (PAP) é uma ferramenta do aluno, embora, habitualmente, esses planos sejam desenvolvidos em colaboração com professores e conselheiros. O objetivo do PAP é ajudar o aluno a atingir os objetivos de aprendizagem de curto e longo prazo. Os PAP são baseados em princípios andragógicos sólidos relacionados com a motivação, a persistência e a relevância da aprendizagem. Desenvolver uma apropriação do PAP permite que os alunos adultos decidam o que querem aprender, como vão aprender e por que motivo necessitam de ser perseverantes no processo de aprendizagem para atingirem os seus objetivos pessoais.

Foram e estão a ser desenvolvidas, a nível europeu, várias estruturas gerais, contendo níveis e indicadores para diferentes competências. Muitos países europeus desenvolveram versões nacionais adaptadas e estão a implementar uma aprendizagem contextualizada e sem currículo, conforme descrito neste artigo. Formar os professores para serem capazes de usar as estruturas como base dos planos do professor, que devem ser personalizados de acordo com as necessidades dos alunos, também é uma parte importante do processo de implementação destas políticas. A European Basic Skills Network espera estabelecer quadros de cooperação com países que desejem desenvolver a sua política de competências básicas para adultos, bem como os processos de implementação destas importantes temáticas.

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