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Kaat Verheeke: unir estudantes de todas as idades e culturas

Queremos refletir sobre a forma como cada pessoa (cidadão) tenta usar a linguagem para expressar características essenciais da sua identidade.

Kaat Verheeke

Breve biografia

Trabalho no ensino básico há 20 anos, primeiro como professora e agora como membro da equipa. Antes disso, ensinei no ensino secundário. No Ligo Center for Basic Education Ghent-Meetjesland-Leieland combinamos a nossa missão educativa com atividades e projetos. Gosto de dar tudo o que tenho. No Wij, Mens-project fui responsável pelo planeamento, pela organização e pelo financiamento suplementar.     

A minha EPALE

Não conheço muito bem a EPALE, mas tenho uma conta para poder explorá-la mais.

A minha História

Com os intercâmbios setoriais entre os centros do ensino básico vimos um exemplo de uma produção teatral de sucesso com alunos de Turnhout e da companhia de teatro HETGEVOLG. Essa produção inspirou-nos a associar o conteúdo dos módulos "trabalhar em conjunto", "atuar em grupo" e "ser seguro de si mesmo" a um projeto criativo. Como objetivo adicional, propusemos melhorar a comunicação não verbal.

Com o Wij, Mens (Nós, Pessoas), o Ligo Gent-Meetjesland-Leieland criou uma peça de teatro em cooperação com a Victoria Deluxe. Mais de trinta alunos de diferentes cursos contaram a sua história em palavras, imagens e sons. Inicialmente, o foco era a linguagem, mas o projeto tornou-se uma oportunidade única para mostrar talento, promover a autoexpressão e a conexão. Ainda hoje tem um significado especial para os participantes.

Formato original

Depois de um apelo aos estudantes de todos os cursos, recebemos nada menos que cento e setenta respostas. Passado um mês restavam trinta e oito. O grupo de atores era misto: jovens e idosos, homens e mulheres, estudantes alfa e NT2

e também estudantes da língua holandesa. O facto de tanta gente querer envolver-se desafiou as nossas expectativas. Os alunos precisam de formatos de trabalho originais e formas de se expressarem.

A Comunicação como um jogo

Os participantes trabalharam no projeto de teatro durante 13 semanas. Encontravam-se todas as semanas com os dois realizadores, Sara Vilardo e Klaas De Roo, e um músico da Victoria Deluxe, um local de trabalho social-artístico. Durante o primeiro mês assistiram a workshops. Por exemplo, houve um evento de encontros rápidos onde partilharam informações pessoais. Com os alunos, os profissionais também exploraram diferentes formas de comunicação. Trabalhar juntos fez com que as diferenças desvanecessem. O que começou como pequenos grupos de pares, de conterrâneos e de colegas de turma, transformou-se em NÓS, os atores, o povo.

Nem sempre nos entendemos, mas não temos de o fazer. Conseguimos encontrar soluções juntos. A diversidade de participantes foi única, mas ao mesmo tempo foi um grande desafio para os realizadores. Quais são as possibilidades para este grupo de participantes? Como se conhece toda a gente? Como permitir que cada ator contribua? Damos atenção suficiente a todos? Todos se sentem à vontade no grupo? Por tudo isto, era importante que todo o processo fosse orientado por pessoal do centro. 

A música oferece possibilidades

Gradualmente, houve uma evolução da improvisação para uma estrutura com diferentes temas: saudação - o corpo - esferas do quotidiano - comunicação/má comunicação - caos – encontrarmo-nos uns aos outros (não) - primeiras palavras - a viagem - mãe...  A música tornou-se mais importante. O músico Rudi Genbrugge prestou apoio musical a toda a performance. Isso proporcionou oportunidades adicionais. Um estudante alfa tocou uma música.

Vários participantes cantaram uma canção na sua própria língua. Um estudante do curso de língua holandesa ensinou coreografia ao resto do grupo. Os alunos que tinham dificuldades nas aulas mostraram grande empenho durante o projeto. Este tipo de projeto revela talentos. No início, só nos queríamos focar na linguagem, mas ninguém sabia que tipo de talentos existiam no grupo. Só podíamos ter reparado que o bailarino não falava bem holandês e teve de refazer o módulo... Agora todos viram que é um bailarino de topo!

Os professores repararam que os participantes ganharam coragem para falar, tornaram-se mais confiantes e promoveram a sua expressão linguística e o seu desenvolvimento cultural. Vários estudantes continuaram a fazer música e teatro e foram orientados para iniciativas culturais em Ghent. Alguns dos participantes já estão a trabalhar como voluntários nas atividades da Victoria Deluxe.

Wij Men

Impulsionar os participante e o centro

A avaliação final com os alunos mostrou o grande impacto do projeto. Os estudantes descreveram o seu crescimento pessoal, a intensa experiência de puderem expressar-se como seres humanos, sentimentos de solidariedade e de igualdade, lidar com a dor e a descoberta, mas também uma melhor compreensão, um novo mundo. Foi-lhes permitido serem eles próprios, aceitarem-se uns aos outros e defenderem-se. Os atores aprenderam a conhecer e a respeitar a língua, a cultura e a história de vida uns dos outros.

Os alunos e colegas de Ligo estiveram envolvidos nos figurinos, na maquilhagem e no catering antes e depois das apresentações. Através de Wij, Mens os colegas viram os estudantes num papel diferente, em vez de com pouca literacia, refugiados, candidatos a empregos, mas antes como pessoas num mundo emocionalmente rico e cheio de possibilidades. A concretização de um projeto tão artístico deu um impulso ao centro.

O conceito artístico

Juntamente com os alunos, queremos encontrar interações importantes na vida das pessoas e procurar (o tipo de) linguagem que as pessoas usam durante estas interações. Que palavras e linguagem usamos quando queremos expressar o nosso amor (elogiar) a alguém, quando estamos zangados com alguém, quando queremos partilhar uma piada, quando queremos partilhar a nossa tristeza, quando queremos brincar juntos, quando cantamos juntos para celebrar algo... Queremos utilizar o holandês como língua de instrução, mas, sempre que possível, queremos começar pela língua materna dos alunos e fazer a ligação com o holandês.

Na forma artística(s) queremos usar e gostamos de escolher formas muito diversas: não só a língua falada (via play), mas também gravações áudio, T-shirts impressas ou outros têxteis, projeção via beamer ou com projetor superior... A ideia central é o artista, juntamente com os estudantes, procurar formas de brincar com a língua (holandesa). Sempre adaptada aos alunos e aos seus próprios gostos e estilos.

É crucial que procuremos as características específicas da linguagem de cada aluno. Por outras palavras, queremos refletir sobre a forma como cada pessoa (cidadão) tenta usar a linguagem para expressar características essenciais da sua identidade.

Wij Men

Dicas
  • Crie um cenário com imagens e fotos para alunos com baixas competências linguísticas.

  • Prepare-se com tempo. Para um projeto tão grande, precisa de recursos (financeiros) e de um bom planeamento. Todas as segundas-feiras de manhã, tínhamos uma reunião com os formadores de Leerpunt, os diretores, a administração da Victoria Deluxe, uma estagiária e o músico. Depois do ensaio, sentávamo-nos juntos durante uma hora para avaliar.

  • Forneça apoio psicossocial. As histórias pessoais despertam muitas emoções. 

  • Seja invisível enquanto facilitador. São os atores que devem brilhar.

  • Certifique-se de que tudo corre bem nos bastidores para que os artistas se possam concentrar na criatividade. 

  • Aplique códigos de conduta educativos para prevenir comportamentos transgressivos.

Veja a criação de...

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O folheto do programa

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