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Ilona Zakowicz: a inclusão digital das pessoas idosas

Os idosos que não possuíam computador (com acesso à internet) ou que não detinham competências digitais foram deixados à margem da vida social.

Ilona Zakowicz

Breve Biografia

Ilona Zakowicz, pedagoga e especialista em cultura. Trabalho e defendo os idosos há mais de 10 anos. Sou professora da academia, formadora, autora e co-autora de mais de 30 publicações académicas. Também sou membro de equipas de projeto e investigação nacionais e internacionais, investigadora e gestora de assuntos sociais na Fundação Opieka i Troska (coordenadora de um Centro de Atividade Local e de um Clube de Idosos).

A minha EPALE

Descobri a EPALE devido à minha cooperação com a Universidade da Terceira Idade que funciona na Universidade de Wrocław, onde, nos anos de 2009-2015, desenvolvi projetos destinados a adultos, principalmente idosos. Esses projetos foram, em parte, financiados pelos programas Erasmus +/Grundtvig. Para mim, a EPALE é uma fonte inesgotável de inspiração, de conhecimento, de boas-práticas e das tendências na área da educação de adultos. Os conteúdos de alta qualidade publicados na plataforma EPALE, bem como sugestões de ferramentas comprovadas, utilizadas na educação de adultos, ajudam-me a desenvolver as minhas competências enquanto formadora.

A minha História

A pandemia da COVID-19, que se alastrou por vários meses, afetou quase todas as áreas das nossas vidas. Teve um impacto particularmente forte nas pessoas idosas e, naturalmente, também nos educadores da terceira idade, cuja tarefa era, e ainda é, adaptar métodos, técnicas e formas de trabalho às novas circunstâncias. A minha aventura com o ensino a distância para idosos começou em março de 2020. Foi nessa época que os membros do grupo de discussão Cafe UTW da Universidade da Terceira Idade da Universidade de Wrocław, que tive o prazer de coordenar por cerca de 10 anos, sugeriu que fizéssemos as reuniões online. A declaração do estado de epidemia, introduzida na Polónia a 20 de março de 2020, impossibilitou-nos de darmos aulas com a tradicional fórmula presencial, mas pudemos continuar a utilizar ferramentas de trabalho a distância. A transição das reuniões organizadas nos cafés de Wrocław para o Virtual Cafe UTW ocorreu sem problemas. Isso acontecei porque os membros do grupo Cafe UTW frequentaram, durante muitos anos, cursos de informática assegurados por vários educadores, nos quais me incluo, na Universidade da Terceira Idade, em Wroclaw. Foi nessas aulas que os idosos aprenderam a usar o Skype, o Messenger e o Facebook. Consequentemente, pudemos selecionar ferramentas de comunicação remota que atendessem às necessidades, capacidades e expetativas do grupo. Como os membros do Cafe UTW apresentavam vários níveis de competência digital e motivação para continuar as reuniões online, alguns deles utilizaram apenas materiais educativos e vídeos instrucionais disponibilizados por mim no grupo do Facebook, enquanto outros participaram ativamente nas reuniões online e nas discussões no Facebook.

Tendo trabalhado remotamente por mais de um ano, sei que a Internet ajudou os idosos durante a pandemia. É claro que não substituiu os contactos e as atividades realizadas off-line, mas proporcionou um substituto destes.

Portanto, por um lado, as ferramentas de comunicação remota permitiram-me continuar a encontrar-me com os idosos - apesar do isolamento, e por outro, deram-me muito mais flexibilidade. Hoje, dependendo das necessidades e expetativas dos mais velhos, escolho o modelo para as aulas (presencial, híbrido, remoto) que melhor atenda às necessidades e expectativas de um determinado grupo. Também asseguro, por telefone, esclarecimentos sobre o uso do Skype para os membros do Clube dos Idosos da Fundação Opieka i Troska que desejam participar nas aulas online organizadas desde outubro de 2020.

As observações que realizei agora permitem-me dizer que os idosos que demonstram baixos níveis de competências digitais (ou falta delas) têm maior probabilidade de sofrer os efeitos do isolamento social resultante, entre outras coisas, da incapacidade de participarem ativamente nas atividades educativas. Isso aplica-se tanto aos métodos tradicionais quanto aos que usam técnicas de ensino a distância. A pandemia não considerou os idosos que haviam sido excluídos digitalmente das várias formas de contacto ou ativação. Não só não puderam participar nas atividades, como também não conseguiram confrontar as informações (sobre a pandemia) obtidas na rádio e na televisão com outras fontes de informação, o que aumentou a sua ansiedade. Durante a pandemia, os Clubes de Idosos, UTWs ou outras organizações, promoveram aulas remotas ou suspenderam as suas atividades. Os idosos que não possuíam computador (com acesso à internet) ou os que não detinham competências digitais foram, portanto, deixados à margem da vida social.

Como consequência, os contatos sociais foram rompidos ou reduzidos e, como resultado, alguns indivíduos desenvolveram um humor depressivo ou mesmo uma depressão. É por isso que tenho insistido consistentemente que a educação digital deve ser uma das tarefas básicas a assegurar pelas instituições que direcionam a sua oferta para os idosos. Particularmente face à pandemia, temos consciência de que a literacia informática e digital deve ser promovida, especialmente entre os idosos. Esta é uma competência útil e, como se constatou ser crucial na situação de isolamento que vivemos.


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