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Guy Swaegers: uma oficina siderúrgica que combina aprendizagem, trabalho e cultura

Trabalhar com alunos e funcionários - geralmente refugiados - que, com um estatuto de emprego especial, são capazes de voltar ao circuito de emprego.

Guy Swaegers

Breve Biografia

Tenho uma longa história como empresário com uma siderurgia. O estúdio Moker nasceu de um projeto artístico na década de 1980. A oficina fazia grandes construções artísticas e, na época, tínhamos muitos contactos no setor cultural. Deixei a empresa em 2004. Nesse altura, o cinema e a sala de concertos De Roma em Borgerhout estavam a ser renovados. Como voluntário da iniciativa, entrei em contacto com uma escola vizinha para assegurar educação em part-time. Foi assim que surgiu a minha ideia de fazer uma oficina de construção para alunos, a tempo parcial, e um local de experiência de trabalho, que se tornou o estúdio Kopspel.

 

A minha EPALE

Sou novo na EPALE e acho interessante contribuir. Fico feliz por contar a minha história e por partilhar com outras pessoas o projeto que estamos a construir: uma oficina siderúrgica de sucesso que combina aprendizagem, trabalho e atividades culturais.

Guy Swaegers

 

A minha História

A Kopspel, agora juntamente com a Gatam Cultuurfabriek, em Antuérpia, é uma oficina de construção para o setor cultural. Fazemos cenários, stands, palcos, painéis de exposição... Em 2004, enquanto organização sem fins lucrativos, conseguimos uma vaga, em part-time, no Education Centre, em Borgerhout, e pudemos montar um grande estúdio numa das oficinas antigas. Trabalhamos com alunos e funcionários - muitas vezes com refugiados - que, com um estatuto especial de emprego, podem regressar ao circuito regular de emprego. A idade dos participantes começa aos 16 anos, havendo pessoas na casa dos trinta e dos quarenta anos. São pouco qualificados ou têm deficiência de linguagem. Ficam connosco durante um curso de um ou dois anos. Eles constroem e instalam construções, soldam, dobram aço e assim por diante.

Mestria

Nas oficinas Kopspel, trabalhamos de acordo com os princípios da aprendizagem artesanal. Os participantes trabalham juntamente com formadores e profissionais em projetos que são imediatamente úteis para o mundo exterior. Na Kopspel, um participante trabalha, desde o primeiro dia, numa componente que, no final do processo, pode ser encontrada num teatro, num museu, num centro cultural ou numa produção artística. Até à data, os nossos jovens já realizaram inúmeras construções, decorações, stands, paredes expositivas e palcos giratórios ou fizeram parte de renovações completas do mundo cultural. De grandes projetos a pequenos reparos. Por exemplo, tornámo-nos parceiros permanentes da Ópera e do Ballet Vlaanderen. Além disso, em muitos locais também competimos em processos normais de licitação. 

 

Interesse social 

Tudo começou com encomendas para o De Roma venue: balaustradas, escadas, pontes de luz e arquibancadas. Seguiram-se as exposições. A primeira foi uma exposição para o grupo de espetáculos Royal de Luxe. Esta tarefa surgiu através do Festival de Verão da Antuérpia. Seguiram-se encomendas de palcos, stands e cenários para companhias de teatro, a Ópera Flamenga, o teatro ao ar livre Rivierenhof, o Antwerp Sportpaleis, etc. Trabalhámos para exposições no MAS (Museu aan de Stroom em Antuérpia), Museu M em Leuven, Fort Breendonk, e até mesmo para um pavilhão em Auschwitz. Foram muito úteis vários contactos do meu passado no Moker. Os designers de exposições também criaram rapidamente projetos. Tornaram-se parte da nova história que eu havia começado. Reconheceram a sua importância social e as oportunidades daí resultantes.

Guy Swaegers

Prazos motivadores e cooperação com profissionais

Rapidamente arrancámos com o estúdio e felizmente conseguimos cumprir os prazos apertados. O medo inicial de não sermos capazes de ter sucesso e de não conseguirmos assegurar a qualidade necessária dissipou-se. Os prazos e os projetos funcionaram a nosso favor. Eles fornecem grande motivação para os participantes. Estamos a trabalhar em projetos realmente interessantes. Não se trata do exemplo clássico de construir uma parede e depois derrubá-la novamente. O trabalho deles é realmente visto e isso é um fator motivacional muito positivo. A colaboração com profissionais de renome também é um estímulo extra para os alunos.

Cultivar competências para a vida

Inicialmente, os participantes adquirem a autoconfiança necessária no ambiente seguro da oficina Kopspel e nos contornos definidos pelo tutor. Essa confiança básica pode crescer se eles também se conseguirem manter firmes fora da nossa casa. Os participantes não só conhecem locais especiais e culturais, mas também as pessoas que ali trabalham, os técnicos, os gerentes de produção. E vice-versa, essas pessoas aprendem a abordar os aprendizes para fazê-los encaixarem-se na sua própria cultura de trabalho. Às vezes, também é necessário combater a desconfiança dos nossos participantes. Uma das competências importantes que os participantes podem adquirir connosco é aprender a lidar com muitas pessoas diferentes: consumidores, designers, clientes, outros técnicos e subcontratados. Isso costuma ser esquecido, mas é um fator-chave. Para os empregadores, é muito importante. Os participantes devem ser capazes de se conectarem com a equipa, de compreender os seus colegas, de trabalhar em equipa. Muitas vezes, isso é uma desvantagem adicional para pessoas de origens culturais diversas. Também os encorajamos a terem iniciativa, a demostrarem motivação e não a se esconderem.

Guy Swaegers

Garantia no trabalho

Atrevo-me a dizer que qualquer pessoa que tenha feito um bom trabalho connosco terá a garantia de conseguir um emprego, possivelmente com um curso extra na área da segurança ou uma formação específica. Muitas vezes sou chamado por agências de emprego e de emprego temporário. Somos sempre valorizados como uma boa referência. Os participantes também recebem material, fotos e documentos suficientes, como referências. A maioria deles acaba na indústria, na fábrica de autocarrps Vanhool, na construção de contentores, na Anthony Cranes. Há menos espaço para eles no setor cultural porque a maioria dos centros culturais ou teatros já não tem oficinas internas. Dois dos nossos ex-alunos são eles próprios formadores, o que é motivador para os novos participantes.


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