Dominik Hammer: a vida e as trajetórias educativas dos trabalhadores migrantes na UE
Breve Biografia
Trabalhei para a Katholische Erwachsenenbildung im Lande Niedersachsen e. V., a Associação para a Educação Católica de Adultos na Baixa Saxónia, de 2017 a 2021. Desde 2018, tenho trabalhado no Projeto Erasmus+ NAMED, que mudou sobretudo a minha visão do que pode ser a educação de adultos e de como poderá ajudar a melhorar a vida das pessoas.
A minha EPALE
Etilizo a EPALE para conhecer outros projetos e aprender mais sobre o panorama da educação de adultos e de educação contínua na Europa. No passado, publiquei na EPALE e participei num Epale-Barcamp. Gosto da plataforma e das muitas oportunidades que me oferece para me inspirar e estabelecer contacto com outros profissionais de educação.
A minha História
Uma mudança que o trabalho em educação de adultos trouxe à minha vida foi perceber o quão importante a educação pode ser para os alunos. No projeto Erasmus+ NAMED aprendi muito sobre a vida e as trajetórias educativas dos trabalhadores migrantes na UE. Porque o NAMED – Narratives of Working Migration as Tools for the Assessment of Educational Demands - coloca as experiências dos trabalhadores migrantes no centro de seu esforço para a promoção da inclusão através da educação. Na nossa Parceria Estratégica, que durou de setembro de 2018 a agosto de 2021, realizámos um estudo baseado em entrevistas que permitiu desenvolver uma teoria fundamentada sobre a procura de educação por parte dos trabalhadores migrantes na UE. Também criámos um currículo modelo baseado nas conclusões do estudo que têm em conta essa procura.
Tendo integrado a equipa da investigação, conduzi 16 entrevistas com trabalhadores migrantes na Alemanha. Essas entrevistas foram criadas como entrevistas narrativas biográficas, com o intuito de questionar as histórias de vida, e não apenas os aspetos da vida. Estruturar a história de vida de alguém, em tempo real, enquanto se a narra, é muito exigente. E falar abertamente dos momentos tristes e difíceis, sobre exploração e injustiça, é árduo e exaustivo. Os meus parceiros das entrevistas contaram narrativas ricas. Ainda me sinto grato por terem tido tempo para partilharem as suas histórias.
Alguns entrevistados expressaram que queriam que outros beneficiassem com as suas experiências. E a maioria deles - explícita ou implicitamente - apontou a importância da educação para o sucesso noutro país. Independentemente de falarem de impostos, de leis e direitos no trabalho ou simplesmente de se sentirem capazes de enfrentar o dia a dia, estarem preparados para esses assuntos foi fundamental para a sua autonomia e bem-estar. Descreveram os problemas que tinham para acederem à educação, como o isolamento geogtáfico e social, as condições de trabalho difíceis, os cuidados com a família ou a discriminação.
Os trabalhadores migrantes enfrentam vários obstáculos quanto tentam aprender. Eu também não estava sozinho ao fazer essas observações. Outros membros da equipa de investigação do NAMED, que realizaram entrevistas na Polónia e na Roménia, tinham relatos muito semelhantes sobre os problemas e a importância da educação noutro país.
Este resultado, é claro, não é surpreendente. Em especial, a importância da aprendizagem das línguas é vista como evidente sempre que se discute a educação dos migrantes. No entanto, há uma diferença entre afirmar-se que a aprendizagem de um idioma é importante e perceber o medo de um entrevistado quanto abre cartas escritas num idioma que não entende, com receio de que essas cartas contenham más notícias. Ou perceber os problemas que têm com funcionários hostis. Conhecer o impacto pessoal da educação faz com que se pense em proporcioná-la de modo diferente.
Começa-se a pensar em formas para se alcançar as pessoas que têm longas jornadas de trabalho e que moram a dezenas de quilómetros de distância do estabelecimento educativo mais próximo e a considerar o custo psicológico de se experienciar um ambiente hostil. Certifica-se de que se tem em consideração as restrições de tempo e de energia no currículo e tenta-se tornar as respostas o mais acessíveis possível. Estas foram as nossas experiências quando criámos o currículo modelo NAMED para os trabalhadores migrantes.
Cada organização associativa planeou e organizou um curso modelo para implementar o currículo. Esses cursos foram financiados pelas próprias organizações ou através de bolsas regionais. Com o curso, pudemos qualificar trabalhadores migrantes e fornecer as informações necessárias para que prosperassem. A avaliar pelo feedback que recebemos até agora, o curso teve um impacto positivo e fez diferença.
Para mim, pessoalmente, trabalhar no projeto Erasmus + NAMED levou-me a valorizar ainda mais o nosso trabalho enquanto profissionais de educação de adultos e as oportunidades que temos para ajudar os alunos a melhorarem as suas vidas.
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