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Desenvolvimento de competências para uma vida saudável na era COVID - um resumo da discussão da EPALE

A EPALE organizou uma discussão, em parceria com a EBSN, com o intuito de clarificar diferentes perspetivas sobre literacia para a saúde e a Covid.

Developing skills for a healthy life in the COVID era - a summary on the latest EPALE discussion

Devido à COVID-19, a saúde, a literacia financeira e a resiliência tornaram-se temas significativos na discussão sobre o modo como a educação de adultos deve refletir sobre os nossos desafios atuais e na preparação dos aprendentes para se tornarem mais resilientes às mudanças disruptivas.

A literacia para a saúde desempenha um papel significativo ao capacitar os cidadãos com as competências necessárias para compreenderem as informações relacionadas com a saúde e para serem capazes de tomar decisões informadas.

A EPALE organizou a sua mais recente discussão em colaboração com a European Basic Skills Network, com o intuito de clarificar diferentes perspetivas em relação à literacia para a saúde a partir de pontos de vista gerais e práticos sobre educação de adultos. O evento começou com um painel de especialistas ao vivo, com palestrantes convidados de importantes organizações focadas na literacia para a saúde e na promoção da saúde, bem como na investigação e na educação de adultos:

Ingrid Stegeman, da EuroHealthNet, apresentou iniciativas internacionais desta rede nas áreas da literacia para a saúde e das desigualdades em saúde. Os recursos e materiais que se elencam de seguida foram mencionados por esta especialista:

Orkan Okan, da Rede COVID-HL e do nterdisciplinary Centre for Health Literacy Research, partihou algumas opiniões sobre as perspectivas sociais da COVID e da aprendizagem. Orkan referiu-se aos seguintes instrumentos e links:

Helen Ryan, da Agência Nacional de Literacia para Adultos, apresentou a perspetiva da NALA sobre os programas de literacia para saúde. Helen expôs as seguintes iniciativas e temas:

Destaques da discussão

Comunicação e compreensão de dados relacionados com a saúde

Foram vários os aspetos relevantes apresentados na discussão relativamente ao facto de a literacia para a saúde ser, mais do que nunca, importante nos nossos tempos com a COVID e ainda à forma como os programas de literacia para a saúde podem beneficiar as pessoas para enfrentarem os desafios. Um fator-chave diz respeito “à forma como os especialistas em saúde comunicam com os cidadãos. Mais uma vez, a Covid-19 deixou claro que as comunicações feitas nem sempre são percebidas ou compreendidas pelos cidadãos, dificultando a rápida implementação das políticas públicas de saúde. Os especialistas devem ser capazes de comunicar para um público amplo, com diferentes níveis de literacia, para que as informações transmitidas possam alterar o comportamento assumido por todos. E, claro, é importante ter competências de literacia em geral, para se entender, de forma correta, a mensagem transmitida” (Dora Santos).

Em geral, em tempos de necessidade crescente de informações autênticas, a compreensão dos dados relacionados com a saúde é essencial. “Vemos que muitas vezes as pessoas não têm conhecimentos suficientes para avaliarem o risco e distinguirem informações verdadeiras de falsas. A falta de literacia para a saúde, às vezes, custa a vida das pessoas. Em situações de alto risco que mudam rapidamente, as pessoas precisam de tomar decisões informadas, responsáveis, cuidadosas e baseadas no risco. Na educação de adultos, deve dar-se especial atenção à promoção de competências, à forma de obter e avaliar informações e de validar decisões responsáveis e informadas” (Ilze Sumane).

 

Health Literacy

Grupos-alvo de programas de literacia para a saúde

Em geral, devemos considerar a saúde numa perspetiva holística e encarar a questão numa interligação entre diferentes áreas de políticas e disciplinas, visto que o assunto diz respeito a pessoas em diferentes situações. “Diversos estudos têm demonstrado que, nas sociedades, os mais qualificados tendem a ter um nível de saúde superior, quando comparados com os menos instruídos” (Dora Santos).

“É crucial perceber que a literacia para a saúde deve ser promovida não apenas para aqueles com menor escolaridade ou status social inferior, mas também para pessoas com o nível superior de educação. Ao trabalharem remotamente, as pessoas enfrentam uma sobrecarga de trabalho e esgotamentos que conduzem à deterioração da saúde” (Sanita Baranova).

A literacia para a saúde tornou-se importante à luz das tendências da digitalização que geraram a transição para plataformas online do serviço nacional de saúde, o que pode ser um desafio para os que detêm menos competências digitais avançadas.

Foi levantada e proposta uma questão muito interessante para futuras investigações: os países com mais equidade em termos de saúde são sempre os que garantem uma distribuição mais igualitária de rendimentos?

 

Iniciativas práticas: cursos de literacia para a saúde em bibliotecas

Helen Ryan, da NALA, referiu que as bibliotecas desempenham um papel significativo na consciencialização e até na organização de eventos públicos (focados em materiais relacionados com a saúde) e abordou a importância das oportunidades de formação para bibliotecários, a fim de se expandir a disponibilização de bibliotecas para adultos. Foi apresentado um pequeno video sobre a fascinante iniciativa da NALA que publicou a VOICES, uma coleção de contos, escritos em inglês simples, para encorajar a leitura dos que enfrentam desafios de literacia. Viktorija Aleksejeva apresentou um interessante projeto E+, intitulado Medical Information LiteracyE +, sobre um curso inovador de desenvolvimento profissional para bibliotecários. Os participantes concordaram que o nível de colaboração entre os diferentes parceiros (por exemplo, bibliotecas, academias, clubes, associações, etc.) é um fator-chave para o ajuste das ofertas de EA às necessidades das pessoas.

 

Learning during COVID

Aprendizagem durante a COVID

Alguns contributos abordaram as mudanças nas nossas vidas causadas pelo impacto da COVID (por exemplo, confinamentos, mudança para soluções de aprendizagem a distância, o trabalho a partir de casa, o estudo em casa, etc.) que causaram (a longo prazo) stress e medo dos efeitos da aprendizagem remota nas pessoas. Saber lidar com uma sala de aula digital poderá ser facilitado por métodos de ensino criativos e inclusivos. “No início do ensino a distância, usei vários rituais de grupo (contar histórias curtas inspiradoras, planear atividades conjuntas, definir metas, ouvir música, experimentar as funções das ferramentas de e-learning etc.) e estratégias (check-in e check-out) que ajudaram a reduzir o stress. No final do curso, os participantes referiram que, sem esperarem por isso, o curso tinha tido um “efeito terapêutico””(Ieva Margeviča-Grinberga).

Ficar isolado dos colegas e dos educadores durante a aprendizagem online também pode ser stressante para alguns alunos e menos desafiador para outros. Uma forma de mitigar o impacto do isolamento passava por organizar reuniões "noutro ambiente" (ou seja, ao ar livre, em parques, ao caminhar, etc.). Isso pode ter um efeito positivo na saúde física e também mental. “Antes de podermos voltar para a sala de aula, muitos cursos, inclusive sobre literacia para a saúde, podem ser ministrados fora, por ex. ioga, meditação, tai chi, mas também passeios para se falar de saúde ”(Heike Kölln-Prisner). Outras ferramentas permitem reinventar a diversão na aprendizagem on-line por meio do uso de conteúdos divertidos, por exemplo, https://bongo.cat/ & https://internetquatsch.de/.

Em termos do formato dos programas de literacia para a saúde, Hakan Yandim enfatizou que os módulos de literacia para a saúde poderiam ser adicionados a cursos já criados. Na Turquia, “tornou-se obrigatório assegurar formação em higiene para os funcionários das empresas. Podem ser adicionadas a essas formações em higiene mais informações sobre a epidemia Covid”.

Também fomos recordados da importância da aprendizagem informal nos nossos dias. “É de grande importância no desenvolvimento da literacia para saúde, diferentes setores têm de ser envolvidos na solução dos problemas de saúde em geral, mas, ao mesmo tempo, temos de desenvolver a responsabilidade pessoal sobre a literacia para a saúde” (Ilze Ivanova).

Quanto aos tipos alternativos de ambientes de aprendizagem, houve também uma ideia sobre a utilização de jogos de computador nas atividades de aprendizagem para as famílias. Assim como qualquer outro programa de competências básicas, temos de ver onde as pessoas estão, o que fazem e tentar adotar uma abordagem integrada para juntá-las a essas atividades e dar-lhes uma oportunidade de aprendizagem razoável. Aprender juntos por meio de jogos é definitivamente uma oportunidade. Um exemplo poderia ser o Minecraft nas escolas: https://education.minecraft.net/. Projetos como este dariam uma grande oportunidade para se envolver um novo conjunto de partes interessadas, por exemplo, provenientes da tecnologia digital, que não estiveram, necessariamente, presentes na educação de adultos. Já existem alguns exemplos, mas não na área da literacia para a saúde: https://epale.ec.europa.eu/de/blog/wieviel-game-braucht-education. 

A EPALE da Alemanha apresentou diferentes recursos e a literacia para a saúde é um dos temas abrangidos pelo kit de recursos que poderá ser obtido aqui: https://epale.ec.europa.eu/de/blog/epale-deutschland-ressourcen-kits (é em alemão).

 

Challenges posed by fake news

Desafios colocados por notícias falsas

Em situações de alto risco que mudam rapidamente, as pessoas precisam de tomar decisões informadas, responsáveis, cuidadosas e baseadas no risco. Notícias falsas representam um grande obstáculo para se ser bem-sucedido nesta matéria. A aceitação acrítica de notícias falsas pode ter muitas causas:

  • falta de compreensão do contexto (no caso da Covid, falta de conhecimento geral sobre saúde)
  • falta de formação crítica (muitas vezes associada a baixos níveis de educação)
  • falta de conhecimento específico sobre o modo como funcionam os canais digitais.

Graciela Sbertoli mencionou que o primeiro passo para resolver o problema das notícias falsas (...) é ensinar as pessoas a

  • identificarem a fonte e a rejeitarem a notícia, se não houver uma fonte documentável
  • verificarem as informações através de pesquisas e da leitura de fontes fidedignas
  • evitarem a partilha de informações cuja fiabilidade não possam documentar”

A Associação Alemã para a Educação de Adultos (DVV) desenvolveu e distribuiu (através de Centros regionais) uma série de cursos de formação, tendo em vista a capacidade de se encontrar informações verdadeiras e de se detetar notícias falsas. É uma série de materiais desenvolvidos para voluntários que trabalham em literacia: https://vhs-ehrenamtsportal.de/tipps (partilhado por Heike Kölln-Prisner).

Há um blog interessante do Reino Unido, de 2019, que descreve alguns exemplos de tratamento de notícias falsas. Além disso, existem excelentes recursos e planos de aula que permitem aos professores discutir as notícias falsas com os seus alunos. Poderá encontrar aqui um plano de aulas para professores de Inglês enquanto língua não materna que aborda as notícias falsas.

 

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