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Qualificar digitalmente para o futuro

23/05/2018
door Gonçalo Xufre
Taal: PT

Este mês o atual executivo anunciou que a grande aposta até 2030 será nas competências digitais, razão pela qual foi já definido um plano estruturado de medidas que deverá permitir que Portugal chegue à data estipulada com 80% da população com essas competências.

Trata-se, na verdade, de um plano ambicioso, vertido na iniciativa Portugal INCoDe.2030 que deverá dar resposta a várias desafios que temos pela frente e que, se não forem vencidos, ameaçam definitiva e seriamente a nossa economia e também a sociedade. Como sabemos, a falta de competências e, em especial das digitais, prediz um agudizar do fosso entre os que estão melhor e os que estão pior posicionados na polarização social já existente e com tendência para agravar com a emergência da nova era industrial (Indústria 4.0) e essa polarização extremada ameaça deitar por terra a inclusão social necessária para uma vivência entre todos e com todos, sem exceção, no mundo globalizado.

Em Portugal, atualmente, sabemos que 45% da força de trabalho tem poucas ou nenhumas competências digitais, o que se revela preocupante, pois estima-se que, muito em breve, cerca de 90% dos empregos vão requerê-las.

Mas, não se pense que este desajuste entre o presente e o futuro imediato é exclusivo de Portugal. Em 2016, o Fórum Económico Mundial publicou um relatório, intitulado The Future of Jobs que constatou que, em média, em todos os tipos de profissões, mais de um terço das competências-core necessárias para o desempenho profissional em 2020 serão competências até agora consideradas não cruciais e tudo devido à digitalização que vai afetar o modo como iremos trabalhar.

Para nos reposicionarmos para o trabalho é inevitável que coloquemos na agenda das prioridades a requalificação e a aprendizagem ao longo da vida. E é por isso que a iniciativa Portugal INCoDe.2030, alinhada com outros programas e medidas, como o Programa Qualifica, assume um lugar de merecido destaque.

Com esta iniciativa Portugal está a encetar um rumo para que todos, sem exceção, se posicionem em novos patamares, dotados de competências para poderem enfrentar o futuro.

Espera-se que 50 mil portugueses recebam formação básica digital e que seja possível reconverter muitos jovens para novas profissões associadas à programação.

Não será, com certeza, fácil e, mais uma vez, não é por estarmos em Portugal. Essa é precisamente a preocupação reinante um pouco por todos os países que se preocupam em precaver o que já se sabe que vai acontecer e é por essa razão que vemos serem publicados relatórios como o Towards a Reskilling revolution: a future of jobs for all (uma recente edição do Fórum Económico Mundial, em colaboração com o The Boston Consulting Group and Burning Glass Technologies), com propostas metodológicas para que os países consigam assegurar as necessárias transições entre empregos para todos e em todas as geografias do planeta.

É evidente, e isso também se lê neste último relatório, que não é expectável que seja possível converter todos os mineiros em engenheiros de software mas será possível estudar a viabilidade de conversão com base nas similitudes entre profissões. Convém também não descurar a importância de se trabalhar ao nível das mentalidades, assumindo-se como crucial o envolvimento de todos na educação ao longo da vida, num constante despertar da curiosidade, do interesse pela aprendizagem e da aceitação da mudança. Além disso, será necessário que todos os stakeholders (governo, entidades públicas e privadas) se assumam como co-responsáveis de um mesmo projeto, integrando uma concertação de políticas e de ações com um mesmo propósito: (re)qualificar para um futuro melhor para todos.

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1 - 1 van 1 weergegeven
  • afbeelding van Fernando Albuquerque Costa
    Caro Professor, boa tarde.
    Fiquei muito contente com a iniciativa, nomeadamente com a meta de que 50 mil portugueses recebam formação básica digital, mas ainda não consegui perceber quais as estratégias e meios disponibilizados para lá chegar. Alguma novidade em termos de financiamento e de operacionalização?
    Muito obrigado.
    Cumprimentos,
    Fernando